Passeio de barco em Paraty – Saco do Mamanguá

Logo no dia em que chegamos na cidade de Paraty fomos à agência Paraty Tours dar uma olhada nos passeios oferecidos.

A primeira vez que visitamos a cidade histórica fizemos um passeio de Escuna (Banzay). Durante esse passeio, vimos coisas muito bonitas (inclusive golfinhos), mas o percurso foi longo, cansativo e tumultuado – no fim do dia o barco era uma muvuca.

Então, dessa vez, optamos por um tour com um barco menor – o Netuno Expedition! A Paraty Tours oferecia um passeio na região do Saco do Mamanguá num bote (flexboat), com três paradas. Topamos esse!

Fizemos o passeio já no dia seguinte. O Netuno fica no final do Cais do Porto (píer no Centro Histórico). Deixamos o cais às 9h da manhã de um dia nublado – o que foi bom, pois não tivemos que ficar embaixo daquele sol ardente.

1 ª parada: Praia do Sobradinho, já na região do Saco do Mamanguá:

A praia era pequena, mas muito bonita, sem contar a água: extremamente limpa. A parada foi para flutuação/ observação da vida marinha. O legal foi que a água estava morninha e tranquila, perfeita para nadar. Os peixes ficam mais na costa, próximo às pedras, que é justamente onde está a vegetação marinha. Consegui ver muita coisa bonita nessa parada! O único “problema” foi que o dia estava nublado, então o mar tinha uma aparência meio escura.

Saco do Mamanguá - praia do sobradinho

Aliás, foi nessa praia que vi uma Bolacha do Mar – eu nunca tinha visto uma e de acordo com o que pesquisei realmente se tratava de Bolacha do Mar. Entretanto, ela estava boiando, sendo que Bolachas do Mar ficam no solo, embaixo da areia. Provavelmente alguém a viu e a tirou de seu canto, o que não é nem um pouco bacana.

Saco do Mamanguá

2ª parada: Praia do Cruzeiro, no Saco do Mamanguá:

Essa praia fica quase em frente ao Pão de Açúcar (pico de 575 m de altura na costa do Mamanguá), contudo era até ali que o barco podia ir – o Saco do Mamanguá é uma área de preservação ecológica, por isso barcos motorizados não podem percorrer toda a extensão.

Saco do Mamanguá

A praia era bem maior que a primeira, além de servir de lar para algumas pessoas. Havia um pequeno quiosque nessa praia, que foi ótimo para “matar a fome” de muita gente. Era tudo muito simples, mas bastante acolhedor!  Mais uma vez deparei-me com uma região de água limpa e com uma paisagem muito bonita.

Leia mais sobre o Saco do Mamanguá no final desse post.

Saco do Mamanguá
Um amigo que encontrei na praia

3ª parada: Ilha da Cotia, no Saco do Fundão:

A área em torno da Ilha da Cotia é muito movimentada pelo fato de ser um ponto de parada para barcos/lanchas de luxo – muitos passam a noite ali.

De qualquer forma, eu simplesmente fiquei encantada com a ilha. De cara a praia é pequena e cercada por árvores, mas há uma trilha escondida no meio das plantas. Caso você se aventure por ela e tope fazer uma caminhada de 10 segundos você vai sair no outro lado da ilha! Esse outro lado possui piscinas naturais – achei a vista maravilhosa. A água era cristalina e de um azul único. Essa região também era perfeita para a observação de vida marinha. Como a água era muito clarinha e a quantidade de gente se deslocando por ela não era tão pequena e vez ou outra ela turvava, dificultando minimamente a visão da paisagem submersa – isso nos pontos rasos.

Saco do Mamanguá
Esse é o lado esquerdo das piscinas naturais – o mais fundo”; do lado direito, raso, havia mata na costa

Não posso reclamar, pois pude observar coisas realmente lindas na Ilha da Cotia, como cardumes, ouriços, mariscos e estou desconfiada de que passei por um polvo! A princípio pode bater certo medo em sair nadando pelo mar, mas depois de ver aquele pedaço de vida marinha, não dá vontade de sair! Nessa última parada o Sol apareceu, contribuindo para a água ficar ainda mais linda.

Devo ressaltar que a parte das piscinas naturais não é rasa em todos os pontos, então tome cuidado e só circule por lá se possuir confiança de que vai conseguir flutuar, até porque lá é cheio de pedras e é perigoso pisar em qualquer lugar (vai que é ouriço).

Saco do Mamanguá
Ouriço escondido entre as pedras

Curiosidades durante o passeio:

Fizemos três paradas, uma ilha e duas praias, sendo que duas delas foram para mergulho/flutuação. A equipe do barco forneceu máscara, snorkel e “macarrão” (para aqueles que necessitavam de algum apoio para boiar) nas duas paradas para nado. Todas elas duraram entre 30 e 40 minutos, foi tempo suficiente para aproveitar.

De fato, achei esse passeio muito melhor que a Escuna, pois não ocupou o dia inteiro a ponto de ser cansativo e também não havia uma muvuca/ bagunça. Além disso, a embarcação não parou em pontos com outros barcos/ escunas – fora a ilha da Cotia – assim, os locais eram bem mais tranquilos.

Por ser um flexboat, a embarcação pode chegar muito perto da praia, isso é perfeito para pessoas que tem receio de caminhar pelo mar com a água batendo na barriga/ peito.

Ao longo do percurso passamos por diversas ilhas e praias, as quais iam sendo contextualizadas pelo marinheiro:

  • Ilha da Bexiga – durante o século XVII essa ilha serviu de refúgio para pessoas que sofriam de varíola. Hoje, a concessão dela é do navegador brasileiro Amyr Klink – é a única ilha que possui energia elétrica (patrocinada pela Petrobras). É depois da Ilha da Bexiga que os barcos têm permissão para navegar em uma velocidade mais acelerada.
  • Ilhas Duas Irmãs – hoje a concessão é de Claudio Lorenzetti. No passado, o espaço de uma das ilhas serviu para o Restaurante Kontiki.
  • Ilha Rasa – também já deu lugar a um restaurante e a chalés. Hoje, pode ser alugada para festas.
  • Ilha do Mantimento – a concessão dessa ilha é do presidente da Fiat (Sergio Maggiore). No passado, era nessa ilha que os navios descarregavam os mantimentos, por isso o nome. Hoje ela possui heliporto, quadra de tênis e de minigolfe.
  • Praia Santa Rita – é nessa área que está a casa de praia da família Marinho ( Globo).
  • Praia Vermelha – é a praia mais extensa próxima de Paraty e parada obrigatória das escunas. Possui esse nome pelo fato de a água ficar avermelhada quando entra em contato com as redes de pesca dos Caiçaras (pescadores, agricultores e artesãos).
  • Ilha da Pescaria – a concessão é do presidente da Philips. Muitas pessoas chamam essa área de Lagoa Azul de Paraty, por conta da coloração da água (* porém, a verdadeira Lagoa Azul de Paraty fica próxima á essa ilha).
  • Mansão onde foi gravado o filme Amanhecer Parte I em uma praia do Saco do Mamanguá.
  • Paraty Mirim – no passado era uma saída alternativa do ouro que vinha de Minas Gerais, para evitar ataques de piratas. É nessa praia que está a Igreja de Nossa Senhora de Conceição; fundada em 1746 é a Igreja mais antiga de Paraty. De todas as praias citadas nesse post, essa é a única que é acessível de carro. Também é nessa região que está a aldeia dos índios Guaianazes.

Recomendações para o passeio:

  • Uso de filtro solar
  • Chapéu/ boné
  • Tomar cuidado com os pertences, principalmente na volta, quando o barco está em alta velocidade – segundo o guia, era o melhor secador de cabelo de Paraty

Roteiro

Valores e horários:

O valor do passeio é R$ 100,00 por pessoa

Horários: 9h00 – 13h00 ou 13h30 – 17h30

Visite:

Paraty Tours

Netuno Expedition

O Saco do Mamanguá:

Saco do Mamanguá

  • 8 km de extensão e 2 km de largura
  • Possui 33 praias
  • É lar de 8 comunidades caiçaras
  • O Saco do Mamanguá possui uma área de mangue, por isso a entrada de barcos motorizados é permitida até certo ponto. Conhecer o mangue é uma experiência incrível, mas isso só pode ser feito por barcos á remo, dessa forma a região continua sendo muito bem preservada.
  • Pelo fato de ser uma região de mangue, o Saco do Mamanguá é um importante reduto de vida marinha – é berço de peixes, caranguejos e moluscos.
  • O Saco do Mamanguá é considerado um fiorde brasileiro.
  • As montanhas que cercam toda a extensão do Mamanguá são ocupadas pela Mata Atlântica.
  • É possível acessar o Saco do Mamanguá através de trilhas.
  • De acordo com habitantes e sites relacionados ao Saco do Mamanguá, a trilha mais bonita da região é a que vai até o pico do Pão de Açúcar.
  • Você pode se hospedar no Saco do Mamanguá e fazer diversos passeios de caráter ecológico por lá, informe-se mais aqui e aqui.

Giovana Meneguin

06/05/2015

* fotos: arquivo pessoal

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