Sobrevoando as linhas de Nazca

As linhas de Nazca são geoglifos localizados na costa peruana, mais especificadamente no deserto entre as cidades de Nazca e Palpa. As mais de 100 figuras e as milhares de linhas foram descobertas em 1927 e desde então intrigam a humanidade – não faltam teorias que tentem explicar a finalidade dos desenhos: calendário, cerimonias, agricultura e extraterrestres. Pesquisadores acreditam que as figuras são de 400 a.c – 500 d.c . Os tamanhos variam. Algumas, como o Cachorro, são pequenas e outras chegam a 300 metros de comprimento, um exemplo é o Alcatraz. Em 1994 a UNESCO declarou as linhas de Nazca como patrimônio cultural da humanidade.
Desde pequena tenho interesse pelas linhas de Nazca e os mistérios acerca deste tesouro arqueológico. Poder sobrevoar as linhas foi uma das coisas mais emocionantes da minha vida.

Como foi?
Após uma viagem de 4 horas de ônibus, saindo de Lima, chagamos a Paracas – fizemos a viagem com a Cruz Del Sur, a empresa era ótima, o ônibus era bem confortável e oferecia refeições durante a viagem.
A primeira impressão de Paracas foi que estávamos no meio do nada, era areia/poeira para todos os lados junto com alguns pequenos estabelecimentos – restaurantes, lojinhas de souvenires, hostels e por aí vai… tudo muito simples. Logo que chegamos nós ficamos sabendo que não seria possível sobrevoar as linhas de Nazca no dia agendado, que era aquele, por conta dos Ventos Paracas, um fenômeno natural que é nada mais nada menos uma tempestade de areia. O pior de tudo é que era impossível não reparar na nuvem marrom que vinha vindo do oeste acompanhada de uma ventania extremamente forte.

Ventos Paracas
Ventos Paracas

Nós ficaríamos em Paracas apenas aquela noite, ou seja, no outro dia faríamos o passeio pelas Ilhas Ballestras e iríamos embora. Então, você pode imaginar o tamanho da decepção quando olhávamos para aquela poeira que se aproximava com tanta velocidade. Aliás, decepção que ficou ainda maior quando fomos informados de que se a tempestade não parasse nem as Ballestras iríamos conhecer.
O desespero bateu na hora. Estávamos presos num quarto de hotel até o dia seguinte. Depois de muita conversa com a agência de turismo local e o aeroporto, optamos por fazer, se possível, o voo de Nazca no dia seguinte – conseguimos agendar novamente.
Naquele dia olhávamos o Clima Tempo a cada minuto para ver se os ventos passariam e qual era a previsão do dia seguinte.
Por fim, acordamos com uma notícia razoavelmente boa: o aeroporto de Pisco estava aberto e havia a possibilidade de fazer o voo. Optamos por ir até lá – uns 20/30 minutos de Paracas.
Chegando lá, o aeroporto estava cheio. Não passa de um galpão, é pequeno – eles pretendem ampliar e prometem fazer voos nacionais. Fizemos o check-in – cada passageiro é pesado com os pertences que pretende levar durante o voo, é recomendado levar o mínimo de coisa possível, como uma garrafa de água, a máquina fotográfica e um casaco. Geralmente, o número de pessoas que entram na aeronave é de acordo com o peso – o avião que fomos comportava até 12 pessoas.
Após o check-in fomos informados de que os pilotos estavam sobrevoando as linhas para confirmar se seria possível ou não vê-las – como a tempestade havia ido embora fazia pouco tempo talvez não fosse possível avistar os desenhos.
Resumindo: esperamos sentados no chão ao lado do banheiro durante três horas! E não havia absolutamente nada para fazer, o pequeno aeroporto era: alguns balcões de check-in e um quiosquinho que vendia souvenires (muito caros) e água. Após essas três horas, que mais se pareceram uma eternidade, anunciaram que seriam feitos voos. Felicidade geral!

Bilhete de embarque
Bilhete de embarque

Os passageiros começaram a se dirigir para a sala de embarque – apenas com os pertences que foram pesados durante o check-in. Passamos pelas máquinas de raio-X, como todos os aeroportos, e fomos encaminhados para uma área razoavelmente grande, bem maior que o saguão do aeroporto – nessa haviam diversos bancos. Lá esperamos por uns 45 minutos enquanto os passageiros do primeiro voo do dia embarcavam. Até que, finalmente, chegou a nossa vez! A emoção estava a mil, pois finalmente uma das coisas mais incríveis da minha vida iria se realizar.
Entramos em um ônibus, bem espaçoso, que nos levou até a aeronave – o avião teco-teco. Entramos por ordem de assento. Disposição do avião:

– piloto/copiloto-
1           2
3           4
5           6
7           8
9 10 11 12

Para a minha felicidade, e do meu pai, nós ocupamos os lugares 1 e 2, bem atrás do piloto/copiloto, então, durante o voo, foi possível ver o radar, a rota e os manuais que eles utilizavam – foi bem legal.
O avião decolou após uns 20 minutos do embarque. Foi rápido e balançou demais. Voamos por uns 40 minutos no meio do deserto e de montanhas, entre um céu azul e uma poeira marrom.
Enfim começamos a sobrevoar as linhas de Nazca. Passamos pelos enormes trapézios e retas, pela “pista de decolagem” e a primeira figura foi a Baleia. Sinceramente, eu não sabia o que fazer, se filmava, fotografava ou só olhava, mas, não sei como, consegui fazer as três coisas – para a minha alegria.
Sobrevoamos 12 figuras, além das intermináveis linhas retas e trapézios.

Como é o voo?
Durante o trajeto aeroporto-linhas e vice-versa, é tranquilo, com algumas turbulências – não passa de um voo normal. Aliás, é perfeito para observar a paisagem do deserto peruano.

Deserto de Nazca
Quando os desenhos começam a aparecer no chão, o avião desce (de 3200 pés para 1860), nessa hora já é possível sentir um frio na barriga. Para todos os passageiros verem bem as imagens, a aeronave inclina para a direita e depois para a esquerda – há momentos em que fica quase 90°. Acho que dá para imaginar que é nessa hora que certas pessoas passam mal e utilizam o saquinho plástico. De certa forma, o voo é cheio de malabarismos, pois enquanto um lado está virado para as figuras, o outro está para céu – é até recomendado que você só olhe para a sua janela, afinal ver pela outra pode gerar mal estar.
O copiloto indicava onde a figura estava e qual seria a próxima, também falava uma ou outra informação sobre os desenhos.
Após a observação de todas as figuras, o avião retorna para o aeroporto. Lá, ocorreu o mesmo procedimento do embarque: pegamos um ônibus para o saguão e nos balcões de check-in pegamos as coisas que deixamos.

Árvore e Mão
Árvore e Mão

Informações gerais:
• Normalmente, são realizados voos entre manhã e tarde, mas todos os horários estão sujeitos a mudanças por conta do clima.
• Os Ventos Paracas são um fenômeno natural frequente naquela região, porém na época que fui estava mais acentuado devido ao El Niño.
• No km 420 da rodovia Pan-Americana Sul há um mirante para observar as linhas de Nazca, mas dele só é possível ver a árvore e a mão, que estão bem ao lado.
• Há diversas empresas que fazem o voo das linhas de Nazca – o preço e o ponto de partida (cidade de onde sai o voo) variam entre elas.
• Não recomendo esse passeio para aqueles que morrem de medo de avião ou que costumam passar muito mal.
• Algumas figuras são muito grandes, mas outras são menores, então não é 100% fácil de ver – não vá achando é tudo perfeito e simples de olhar, você vai ter que se esforçar um pouco.
• Eu acredito que o sobrevoo das linhas de Nazca é mais para aqueles que realmente têm curiosidade ou gostam das histórias que envolvem os geoglifos, afinal não é todo mundo que vai curtir ficar num avião teco-teco e cheio de manobras loucas para olhar algumas figuras no meio do deserto.
• Fomos pela Aerodiana e não tivemos problemas. A empresa oferece três tipos de voo – o que muda é o número de passageiros, a duração do passeio e o preço. O nosso foi Pisco-Nazca Total. Veja o site aqui.
Cuidado ao escolher a companhia aérea – procure por empresas certificadas pelo governo peruano para fazer os voos. Nos últimos anos ocorreram diversos acidentes fatais, principalmente por conta de companhias não autorizadas.

Vale a pena?
Como eu disse acima: sim, desde que você tenha curiosidade/ interesse e goste das linhas de Nazca. Entretanto, gostar ou não do passeio e do que irá ver depende de cada pessoa.

No dia que fiz o passeio o descrevi assim: ser obrigada a ficar um dia inteiro no hotel por causa de uma tempestade de areia, acordar 5:10, esperar quase três horas num aeroporto no meio do deserto, ficar com os braços e as costas doloridas e achar que o avião iria cair…valeu muito a pena!!

Cartões Nazca
No final cada passageiro ganhou um certificado de voo

01/ 02/ 2015

Giovana Meneguin

* fotos: arquivo pessoal

VEJA TAMBÉM:

Fotografia: as linhas de Nazca

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